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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Inaceitáveis perdas de água dos transvases

Acabei de ler uma notícia que me alarmou sobre o rendimento/perdas do transvase realizado em Julho de 2009 para o Parque Nacional de Las Tablas de Daimiel apartir do Aqueduto Tejo-Segura.
Este artigo afirma que apenas 5% água enviada apartir do transvase Tejo-Segura (20 hectómetros cúbicos) foi recebida em Julho no Parque Nacional de Las Tablas de Daimiel (Ciudad Real).
Estas perdas de água ocorrem por motivos de evaporação e infiltração ao longo de um percurso de 60 dias que a água demora para chegar ao destino por um percurso de 125 km.
Imagine que encomenda um garrafão de 5 litros a um supermercado e que a empresa de entregas lhe apresenta 1 copo de água mal cheio (5 l x 5% = 0,25 l = 3 dl = 25 cl).
Continuava a comprar água no mesmo supermercado se a companhia de entregas perde quase toda a água pelo caminho?
O Governo espanhol enche o garrafão na cabeceira do Tejo para criar uma pequena poça que atraia um pato que leve um turista distraido a pensar que têm um Parque Natural Vivo, enquanto mata o Tejo e os seus ecossistemas e depaupera as economias locais a montante.
O Governo espanhol deve rever os critérios de cálculo dos transvases, sem alteração há 40 anos, visto que o sistema de transferência entre as cabeceiras do Tejo e a bacia do Segura previsto no Convénio Luso-Espanhol de 1968 determina um volume anual a ser transvazado de 1.000 hm3, cerca de 3 vezes superior aos transvases realizados no ano hidrológico 2005/06, em que as barragens de Entrepeñas e Buendía moveram para o rio Segura um caudal de 253 hm³, superior ao vertido pelo próprio Tejo (247,7 hm³).
Por outro lado, temos de dizer ao Governo Português que os transvases acordados na convenção da albufeira são "LEGAIS" mas "EXCESSIVOS", porque apesar de estarem abaixo do limiar máximo votam o Tejo à escassez de água que tem apresentado nos últimos anos.
Não seria justo que para além do limite máximo de quantidades absolutas transvazadas existisse ainda uma proporção relativa mínima da precipitação da cabeceira do Tejo que seja obrigatório deixar afluir pelo curso natural do rio?
As instituições europeias promovem campanhas junto dos cidadãos para uma utilização eficiente da água mas mantêm-se passivas enquanto o Governo Espanhol ignora a Directiva Quadro da Água e desperdiça inaceitáveis quantidades de água em transvases ao longo de centenas de quilómetros cujas perdas por evaporação e infiltração atingem 95%. Alguém acha isto normal?
No entanto, a taxa de rendimento nos restantes transvases é de cerca de 85%, o que representaria perdas de 12% da totalidade das precipitações de água da cabeceira do Tejo, visto que 80% destas são transvazadas (12% = 80% x 15%), sendo que a título de exemplo, no ano de 2005/2006 poderão ter sido desperdiçados 30,36 hm³ (253 hm³ x 12%) que permitiriam duplicar o caudal de água com origem na cabeceira do rio Tejo.
Serão aceitáveis tais perdas quando se pede à população que adopte comportamentos com vista a uma utilização eficiente da água?

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Mudar com Acção Ambiental Local

A educação ambiental com temas específicos sobre o tema da água, aplicável às povoações ribeirinhas do Tejo e seus afluentes dispõe de dois programas com um excelente trabalho já desenvolvido neste domínio, os Eco-Locais e as Eco-Escolas.
Os ECOs-Locais têm como objectivo promover a cidadania ambiental, incentivando uma participação mais activa e informada dos jovens na sociedade e contribuir para uma maior sensibilização e participação na prevenção e resolução dos problemas ambientais.
São coordenados pela Liga para a Protecção da Natureza (LPN) e perspectivam a possibilidade de alargamento a outros grupos organizados depois da fase de implementação (2009/10) em exclusiva parceria com o Corpo Nacional de Escutas (CNE) e o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SEPNA/GNR).
O programa Eco-Escolas destina-se, preferencialmente, às escolas do ensino básico, embora possa ser implementado em qualquer grau de ensino, e pretende, entre outras:
a) encorajar acções, reconhecer e premiar o trabalho desenvolvido pela escola na melhoria do seu desempenho ambiental, gestão do espaço escolar e sensibilização da comunidade;
b) estimular o hábito de participação envolvendo activamente as crianças e os jovens na tomada de decisões e implemetação das acções.
c) motivar para a necessidade de mudança de atitudes e adopção de comportamentos sustentáveis no quotidiano, ao nível pessoal, familiar e comunitário.
A metodologia constituída é inspirada na Agenda 21 e os temas de base que deverão ser tratados por todas as Eco-Escolas incluiem a água, entre os demais, como sejam, resíduos, energia e alterações climáticas e ainda, complementarmente: biodiversidade, agricultura biológica, espaços exteriores, ruído e transportes.
Estes programas promovem a formação cívica e a participação das populações e dos jovens na preservação dos nossos rios e recursos hídricos, podendo ser articulados com intervenções do Projecto Rios e com os serviços municipais no domínio do ambiente.
Aqui fica mais esta informação sobre o que podemos fazer ao nível da educação ambiental junto das populações ribeirinhas, neste caso, do TEJO e seus afluentes, com prioridade aos temas da água.