quarta-feira, 19 de maio de 2010

O TEJO MERECE MELHOR!!

A Comissão Europeia estendeu à degradação de Las Tablas de Daimiel e Zonas Húmidas de La Mancha o procedimento de infracção inicialmente oficiado às autoridades espanholas por incorrecta transposição da Directiva Quadro da Água, referida aqui, face a nova informação sobre presumíveis infracções relacionadas com o mau uso de água e com a responsabilidade ambiental.
Segundo a WWF deve ser efectuada uma recuperação das zonas húmidas promovendo a utilização sustentável da água que começa por uma extracção legal e controlada das águas subterrâneas, reduzindo para metade a água usada para irrigação e optimizando a eficiência dos sistemas de irrigação, tal como previsto no Plano Especial do Alto Guadiana e exigido pela Directiva Quadro da Água. 
Em Novembro de 2009 o proTEJO já tinha aqui recusado os transvases do Tejo aprovados como paliativos do Parque Nacional de Tablas de Daimiel por se tratar de um procedimento ineficaz e, em consonância com as ONG Ambientalistas de Espanha, colocámos a prioridade na defesa dos princípios de gestão de recursos hídricos da Directiva Quadro da Água, considerando que a solução para Las Tablas passava por utilizar água da própria bacia do Guadiana para apagar o incêndio subterrâneo e recuperar o Parque Nacional utilizando as águas dos poços já existentes.
A Comissão Europeia apresentou no Tribunal de Justiça da União Europeia uma queixa contra a Itália e a Espanha por prolongado incumprimento da legislação comunitária relativa ao tratamento de águas residuais urbanas visto que muitas das grandes cidades ainda não têm um tratamento de águas residuais em conformidade com as regras da UE.
O Comissário para o Ambiente, Janez Potocnik, afirmou que: "As águas residuais não depuradas constituem um perigo para a saúde pública e são a fonte mais importante de poluição das águas costeiras e interiores. É inaceitável que tenham decorrido mais de oito anos a contar do prazo limite e que a Itália e a Espanha continuem sem cumprir essa legislação tão importante. A Comissão vê-se, portanto, obrigada a submeter estes assuntos ao Tribunal de Justiça da União Europeia. "
As águas residuais não tratadas podem estar contaminadas com bactérias e vírus, apresentando assim um risco para a saúde pública. Além disso, contém nutrientes como nitrogénio e fósforo, que podem afectar as águas doces e o ambiente marinho, promovendo o crescimento excessivo de algas que sufocam outras formas de vida (eutrofização).
Na verdade, já em Novembro foram visíveis no Tejo níveis de eutrofização nunca antes vistos com mantos de algas verdes a estenderem-se desde as Portas de Ródão até Abrantes, como mostrámos aqui e aqui.
O TEJO MERECE MELHOR!!
 
Espanha no Tribunal Europeu por violação das regras de tratamento de águas residuais urbanas
2010/06/05
Internacional
A Comissão Europeia decidiu apresentar queixa contra a Itália e a Espanha no Tribunal de justiça da União Europeia em dois casos de prolongado incumprimento da legislação comunitária relativa ao tratamento de águas residuais urbanas. Muitas das grandes cidades ainda não têm um tratamento de águas residuais de acordo com as regras da UE, apesar de dois avisos prévios.
Janez Potocnik, Comissário para o Ambiente, declarou a este respeito que: "As águas residuais não depuradas constituem um perigo para a saúde pública e são a fonte mais importante de poluição das águas costeiras e interiores. É inaceitável que tenham decorrido mais de oito anos a contar do prazo limite e que a Itália e a Espanha continuem sem cumprir essa legislação tão importante. A Comissão vê-se, portanto, obrigada a submeter estes assuntos ao Tribunal de Justiça da União Europeia. "
Itália e Espanha em Tribunal
A Comissão leva a Itália e a Espanha ao Tribunal de Justiça da União Europeia por violarem a directiva relativa ao tratamento de águas residuais urbanas de 1991. Nos termos da directiva, Itália e Espanha tinham até 31 de Dezembro de 2000 para criarem sistemas de recolha e tratamento de esgotos em áreas urbanas com mais de 15.000 habitantes.
Em 2004 foi enviada a ambos os países uma primeira carta de advertência por ter sido recebida informação que demonstrava que um número considerável de municípios não cumpria os requisitos da directiva. Enviaram uma segunda advertência, por escrito e final, para a Espanha em Dezembro de 2008 e para Itália em Fevereiro de 2009. Após avaliação constataram que cerca de 178 municípios italianos e 38 espanhóis continuavam em violação das normas comunitárias. Entre estes estão Reggio Calabria, Lamezia Terme, Caserta, Capri, Ischia, Messina, Palermo, San Remo, Albenga e Vicenza, em Itália e A Coruña (Galiza), Santiago (Galiza), Gijón (Astúrias) e Benicarló (Valencia) Espanha.
Este grave e continuado incumprimento das normas comunitárias é de grande preocupação para a Comissão, que decidiu, portanto, levar a Itália e a Espanha ao Tribunal de Justiça da União Europeia.
As águas residuais não tratadas podem estar contaminadas com bactérias e vírus, apresentando assim um risco para a saúde pública. Além disso, contém nutrientes como nitrogénio e fósforo, que podem afectar as águas doces e o ambiente marinho, promovendo o crescimento excessivo de algas que sufocam outras formas de vida (eutrofização).

A Comissão Europeia estendeu a queixa contra a Espanha à deterioração da Reserva Natural de Tablas de Daimiel
Mar, 27 de abril de 2010
A Comissão Europeia comunicou à WWF ter apresentado como queixa a sua denúncia sobre a degradação de Las Tablas de Daimiel e Zonas Húmidas de La Mancha. Assim, estende o procedimento de infracção que tinha inicialmente oficiado, ao conhecer os novos dados sobre presumíveis infracções relacionadas com o mau uso de água e com a responsabilidade ambiental.
O relatório do WWF levou à ampliação do procedimento de infracção da Comissão Europeia, “relacionado com o grave problema ambiental da má gestão da água na Bacia do Alto Guadiana e a consequente destruição do Parque Nacional Las Tablas de Daimiel", de acordo com a informação do comunicado da WWF.
A Unidade de Infracções da Comissão estaria a investigar a responsabilidade ambiental das autoridades espanholas por alegadas violações da legislação comunitária sobre a água. Da mesma forma, está a averiguar a responsabilidade por não ter previsto nem reparado os danos ambientais. Estes últimos serão objecto de uma análise preliminar detalhada para determinar o seu alcance e a sua relação com o uso de água dos aquíferos sobre explorados de Castilla - La Mancha.
WWF denunciou à CE que a sobrevivência do Parque Nacional das Tablas de Daimiel está ameaçada pela sobre exploração dos aquíferos que lhe fornecem água. Além disso, a dramática perda de biodiversidade (fauna e flora), as fissuras e a queima de turfa, assim como a degradação de sua bacia são devidas ao facto das suas zonas húmidas já não se inundarem suficientemente de forma regular.
A WWF aposta na recuperação das zonas húmidas, promovendo a utilização sustentável da água que começa por uma extracção legal e controlada das águas subterrâneas, reduzindo para metade a água usada para irrigação e optimizando a eficiência dos sistemas de irrigação, tal como previsto no Plano Especial do Alto Guadiana e exigido pela Directiva Quadro da Água.
Juan Carlos Olmo, secretário-geral do WWF, disse: "Temos de atacar os problemas das Zonas Húmidas de La Mancha eliminando ligações ilegais e abusivas e reduzindo a área irrigada para metade. O objectivo deverá ser uma recuperação natural de Las Tablas com base no uso sustentável da água do aquífero que alimenta o pântano. Na WWF esperamos que a Comissão Europeia nos ajude a alcançar este objectivo."

OS NOVOS TRANSVASES AVANÇAM EM TODAS AS FRENTES - ESTREMADURA E ZONA MANCHEGA

Apesar das promessas de comunicação de novos transvases do governo Espanhol a Portugal, os preparativos de novos transvases avançam com adjudicação do contrato para o estudo do transvase desde Valdecañas para o Levante Espanhol, e para o Guadiana na Estremadura, publicado no passado dia 15 de Maio de 2010 no Jornal Oficial da União Europeia.
Foi adjudicado à Ingenieria Civil Internacional e Inyges Consultores, por 233.750 euros, pela Consejería de Fomento da JUNTA DE EXTREMADURA para prestação do “Serviço de consultoria e assistência técnica para o estudo de viabilidade de um hipotético transvase desde a Barragem de Valdecañas para o Levante Espanhol e de alternativas prioritárias de um transvase interno Tejo-Guadiana na Estremadura”.(Jornal Oficial da União Europeia - 07-10-09 A; 10-10-09 A; 15-05-10 A).
Avança também a construção do 3º transvase, a tubagem manchega que vai desviar a água do Tejo a partir do transvase Tejo - Segura para a bacia do Guadiana, como já referimos aqui.
O bar aberto da água do Tejo continua a servir uma política de recursos hidricos assente em transvases utilizando recursos alheios para o desenvolvimento ou fornecimento de outras terras, esquecendo a acção sobre a procura, como sejam, a eficiência do uso da água, as técnicas de dessalinização, entre outras.

PROVINCIA ALBACETE

El suministro de agua del Tajo a Minaya y Villarrobledo da un paso adelante

Sale a información pública el proyecto de los ramales de este trasvase, con un presupuesto de 83 millones de euros
18.05.10 - 00:50 - L. V.
ALBACETE.
El proyecto que llevará el agua desde el acueducto Tajo Segura hasta Minaya y Villarrobledo, junto a municipios de otras provincias, se encuentra en periodo de información pública, siguiendo la tramitación de la Dirección General del Agua del Ministerio de Medio Ambiente y Medio Rural y Marino. El expediente lo ha realizado la Confederación Hidrográfica del Guadiana y se refiere a los «Ramales de la zona nororiental de la llanura manchega (Albacete, Ciudad Real, Cuenca y Toledo)».
La información pública supone un paso necesario en el procedimiento de las expropiaciones que se realizan en estas obras, que forman parte del Plan Hidrológico Nacional, para la distribución del agua del Tajo a partir de la conducción principal hasta la llanura manchega. Forma parte también de los proyectos de abastecimiento del Plan Especial del Alto Guadiana. El objetivo del proyecto es garantizar agua (que se tomará de la conducción principal y se potabilizará) para consumo doméstico, en Albacete, a Minaya y Villarrobledo .
También a Pedro Muñoz y Socuéllamos (Ciudad Real); Belmonte, El Pedernoso, El Provencio, Horcajo de Santiago, Las Mesas, Las Pedroñeras, Los Hinojosos, Mota del Cuervo, Pozorrubio de Santiago, San Clemente, Santa María de los Llanos y Villamayor de Santiago (Cuenca), que suman una población a abastecer de 105.197 habitantes.
Demanda cubierta
El abastecimiento se hará con una red de tuberías de fundición de 187.040 metros de longitud, con diámetros interiores entre 900 milímetros y 100 milímetros, y otras obras complementarias; las obras tienen un plazo de ejecución de cuarenta y ocho meses.
El presupuesto base de licitación asciende a 83.129.678,61 euros.
La obra termina en el ramal R3, de Minaya, que tiene una longitud de 78,2 kilómetros desde la conducción principal de este trasvase. Según el proyecto, Minaya tienen una demanda de agua para sus 1.755 habitantes de 16,67 metros cúbicos por hora, y el nuevo abastecimiento se ha calculado para 20,84 metros cúbicos.
El ramal de Villarrobledo es el R3-6, de una longitud de 11,5 kilómetros. En este municipio, el consumo estimado para sus 26.004 habitantes es de 310,96 metros cúbicos, y el nuevo suministro aportará 388,70 metros cúbicos por hora. El proyecto global de que forman parte estos ramales mejorará el abastecimiento de cerca de 600.000 personas de 59 municipios de Albacete, Cuenca y Ciudad Real, que se toman del Tajo y se trasvasan a la zona manchega; la inversión conjunta se acerca a los quinientos millones de euros.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

NUCLEAR - ETERNAMENTE CONTAMINANTE - CRÓNICA "CÁ POR CAUSAS” - JORNAL "A BARCA” - 13 DE MAIO DE 2010

A extracção de urânio é onde se inicia a produção de energia nuclear visto que para o funcionamento das centrais nucleares é necessário este minério que não se encontra em todos os locais e que, além disso, existe em reduzida proporção nos lugares onde se encontra, exigindo o movimento de grandes toneladas de material geológico para obter uma pequena quantidade deste minério, que deve ser enriquecido para que possa ser posteriormente utilizado em centrais nucleares.
Em Espanha não existem minas de urânio tendo sido autorizada apenas a sua prospecção, enquanto em Portugal tem vindo a ser anunciada a pretensão da extracção de urânio em Nisa disfarçada de terapêutica para a redução da radioactividade natural com a qual as populações têm sabido viver ao longo dos anos e que apenas é objecto de preocupação quando a cotação do urânio sobe na bolsa.
Além do consumo e da poluição da água, a mineração das jazidas de urânio de Nisa localizadas em zonas sobranceiras ao rio Tejo envolve um risco de arrastamento de resíduos radioactivos para o seu leito pelas escorrências das chuvas e, consequentemente, a contaminação de sedimentos que prosseguem até à sua foz.
As cicatrizes destas minas ficariam marcadas na alteração do território e da paisagem, ao mesmo tempo que a difusão de poeiras radioactivas poderia afectar as povoações mais próximas e a saúde dos seus habitantes, como sucedeu com a população de Canas de Senhorim que ainda padece de diminuição da função tiroideia, reprodutiva, renal e as séries sanguíneas, de acordo com o Relatório Científico de 2007 – Minas de Urânio e seus Resíduos - elaborado pelo Grupo de Coordenação nomeado pelo Ministério da Saúde.
A contaminação das águas do rio Tejo pelas falhas repetidas da Central Nuclear de Almaraz é real e tem sido mais gravosa face à informação tardia e incompleta destes incidentes às populações afectadas.
De facto, os relatórios do Instituto Tecnológico e Nuclear(1) afirmam que é “notória a variação de concentração de actividade em substâncias radioactivas de origem artificial (3H) em Vila Velha de Ródão e ao longo dos meses com um valor máximo no mês de Agosto”, sendo que esta “variação está relacionada com a gestão das descargas de efluentes no rio Tejo, da Central Nuclear de Almaraz localizada em Espanha”.
Para evitar alarmismos explicam nos relatórios que “não foram detectadas substâncias radioactivas de origem artificial no ambiente em concentrações susceptíveis de causar efeitos nocivos na saúde humana. Deve assinalar-se, no entanto, a excepção do rio Tejo, onde os valores em 3H na água são superiores ao valor do fundo radioactivo” ao mesmo tempo que desvaloriza os níveis de radioactividade quando afirma que “mas, apesar disso, sem significado, sob o ponto de vista dos efeitos radiológicos.” A ambiguidade que esta conclusão gera no comum leitor exige a sua necessária clarificação.
E não existirão efeitos nocivos para a saúde humana resultantes da contaminação da água que sustenta toda a cadeia alimentar, nomeadamente, nas espécies piscícolas que nos alimentam?
Bem vistas as coisas, a energia nuclear comporta um significativo custo económico, ambiental e social associado à produção, transmissão e armazenamento (em cemitérios nucleares) dos resíduos radioactivos que fica por apurar e integrar no custo final suportado pelo consumidor.
Talvez a solução seja a opção por um plano energético alternativo baseado na sustentabilidade com o objectivo de desenvolver as energias renováveis, sustentáveis, geradoras de emprego e que não ponham em risco a saúde e a segurança dos cidadãos.
(1) Relatório Programas de Monitorização Radiológica Ambiental (UPSR-A, nº33/09) (Ano 2008) da Unidade de Protecção e Segurança Radiológica - INSTITUTO TECNOLÓGICO E NUCLEAR, I.P.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

POR UM TEJO COM CAUDAL EM ESPANHA E PORTUGAL

Os cidadãos vogaram contra a indiferença e por um Tejo com caudal, em Espanha e Portugal, tendo-se confirmado as previsões de céu muito nublado com períodos de chuva ocasionais e de abertas e término dos períodos de chuva ao final da manhã.
Logo pelas 9 horas começaram a chegar os participantes na descida, a pegar em barcos enquanto os aguaceiros vinham e molhavam tudo e logo de seguida se esgotavam, até que o tempo estabilizou e fez com que até os menos aventureiros agarrassem nos remos e se fizessem à água.
Aqueles que compareceram deram um exemplo de perserverança e de resistência face às condições climatéricas adversas, com períodos ocasionais de chuva fraca, às águas estagnadas devido à paragem da barragem de Cedilho, que a IBerdrola decidiu manter até às 14 horas quando apenas o tinhamos solicitado até às 10 horas e 30 minutos, e ao vento de frente (oeste) que se levantou ocasionalmente.
Que esta demonstração de perserverança e resistência de cidadãos portugueses e espanhóis em defesa do Tejo perdure na memória dos nossos Governos para que se mantenham conscientes da nossa determinação para agir em defesa do Tejo.
Agradecemos aos nossos amigos espanhóis que participaram na descida e na organização, como a ADENEX da Estremadura, a Plataforma para la defensa del Tajo y el Alberche de Talavera de la Reina y la Red Ciudadana para una Nueva Cultura del Agua en el Tajo /Tejo y sus ríos.
Bem hajam e abaixo deixamos a mensagem que nos dirigiram.


MENSAGEM DA PLATAFORMA PARA LA DEFENSA DEL TAJO Y EL ALBERCHE DE TALAVERA DE LA REINA E DE LA RED CIUDADANA PARA UNA NUEVA CULTURA DEL AGUA EN EL TAJO/TEJO Y SUS RÍOS
Queridos compatriotas de río,
Acabamos de navegar un pedazo del Tajo, un trozo de río aún vivo. Nos hemos mojado con sus aguas, hemos dibujado cientos de estelas en su corriente. El agua que hoy nos ha acompañado hace semanas que discurrió por Toledo, por Talavera de la Reina, por Aranjuez. Quizá fue nieve en las alturas de la sierra de Gredos, o en las parameras de los montes Universales, allá por Teruel y Guadalajara. Ahora, aquellas aguas jóvenes se han reunido en este gran río junto al que nos encontramos. Nuestro río: el Tajo.
El Tajo nos enseña una y otra vez una lección, la lección de la vida, de la experiencia, de la memoria. El Tajo llega hasta Vila Velha de Ródão en una estación más, una parada en su discurrir de río grande y generoso. El río, el Tajo, es como la singladura vital de cualquier hombre o mujer: se va haciendo al andar el camino, espesándose de limos que va arrancando a la orilla de la experiencia y el día a día; y con el tiempo, con el andar, sus aguas se van haciendo más densas, profundas, sabias... El Tajo que España entrega a Portugal es un Tajo herido, maltratado y secuestrado. Lo sabemos, y por eso os pedimos perdón.
Nos hemos reunido hoy aquí ciudadanos de Portugal y de España, porque sabemos que el Tajo no entiende de fronteras; y que nos enseña una lección muy importante: el río no es de nosotros, nosotros somos del río, somos del Tajo. Pero nuestra es la responsabilidad de su supervivencia, nos lo está diciendo, cada vez con mayor urgencia y agotamiento; y no os quepa duda de que nuestra generación tiene en sus manos una responsabilidad como jamás ninguna otra tuvo con el río, con su cultura, con su biodiversidad, incluso con su propia existencia física. El Tajo es nuestro elemento de hermanamiento y de reafirmación como ciudadanos. El Tajo no entiende de fronteras. El Tajo es símbolo de unión, pero, también, no lo olvidemos jamás, de responsabilidad.
El Tajo es de los ciudadanos que lo vemos pasar, que escuchamos su rumor de río grande, que lo disfrutamos, que sufrimos con él en las sequías, o que lo admiramos pleno en las crecidas de invierno. El Tajo no es de los gobiernos que hacen con él a su antojo; el Tajo no es de las empresas hidroeléctricas; el Tajo no es de los ingenieros que lo quieren convertir en un río que desemboque en el mar Mediterráneo. No. El Tajo es de la tierra que lo ve pasar. El Tajo es el mayor elemento cultural de nuestro paisaje, grabado desde hace siglos en los meandros de nuestra memoria colectiva. El Tajo estaba antes que nosotros, es un faro que nos marca distancias y tiempos, y ahora, sobre todo nos muestra la profunda desconexión del hombre con la naturaleza, con su cultura, con su ser profundo más arraigado a la tierra y su paisaje.
Vienen tiempos muy duros para el Tajo. Actualmente el Tajo es el único río del mundo que desemboca en un océano y en un mar, el Atlántico y el Mediterráneo. En España son muy fuertes las presiones para que cada vez vaya más agua hacia el Mediterráneo, y se considera un desperdicio que el agua del Tajo llegue hasta Portugal. Y eso no lo podemos tolerar por más tiempo. Sólo si actuamos como ciudadanos convencidos de nuestra misión, sabedores de la responsabilidad que tenemos en nuestras manos, sólo así podremos recuperar y salvar al Tajo. La unión, la independencia, el convencimiento de que estamos en posesión de la verdad, nos debe guiar en nuestro trabajo. Es vital exigir responsabilidad a los gobiernos de Portugal y España. Estamos en pleno proceso de elaboración de los planes de cuenca, y de ellos dependerá el futuro del Tajo. Debemos continuar trabajando juntos, sin fronteras, sin líneas, como ciudadanos unidos por lo más importante: nuestro río Tajo.
Gracias por vuestra hospitalidad, y por saber mantener aún al Tajo vivo en Portugal, reserva de vida y de cultura que hace ya tiempo perdimos en España. Bajar hoy con vosotros surcando el Tajo ancho y rápido, con el caudal fuerte de este invierno generoso, nos reafirma en nuestro trabajo y en nuestra responsabilidad.
Muchas gracias.
Soledad de la Llama
Club de Piragüismo Talavera Talak, miembro y representante en la bajada de la Plataforma para la defensa del Tajo y el Alberche de Talavera de la Reina y de la Red Ciudadana para una Nueva Cultura del Agua en el Tajo /Tejo y sus ríos.

domingo, 9 de maio de 2010

proTEJO A VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA

A actividade "Vogar Contra a Indiferença - Pelos nossos rios, pelo nosso futuro" congregou cerca de 80 canoístas e 40 embarcações que desceram este domingo, dia 9 de Maio de 2010, o rio Tejo desde a barragem de Cedilho ao cais fluvial de Vila Velha de Ródão, numa ação que juntou portugueses e espanhóis em defesa de uma gestão sustentável do rio.
Em Vila Velha de Ródão, algumas centenas de pessoas aguardavam a chegada das canoas para ouvir a leitura de uma Carta Contra a Indiferença, documento no qual o proTEJO e as restantes organizadoras do evento, apelam às autoridades competentes, a nível internacional, nacional, regional e local, que defendam o rio Tejo e os seus alfuentes.
Exige ainda “o cumprimento da Directiva Quadro da Água, ou seja, a garantia de um bom estado das águas do Tejo", a monitorização do cumprimento permanente do regime de caudais ambientais, a recusa dos transvases do Tejo e o apoio à investigação de alternativas sustentáveis, baseadas no uso eficiente da água.
A concepção de um projecto de desassoreamento do rio, que permita a sua navegabilidade, a garantia da qualidade e quantidade de água do rio Tejo e dos seus afluentes, a restauração do sistema fluvial natural e o seu ambiente e a valorização e promoção da identidade cultural e social das populações ribeirinhas do Tejo são outras reivindicações.
A actividade "Vogar Contra a Indiferença" foi organizada pelo movimento proTEJO e pelas associações, a Adenex (defesa da natureza e recursos da Extremadura), a AZU (ambiente em zonas uraníferas), a ASA (Salavessa viva), o MUNN (movimento urânio em Nisa não), a Quercus e a CerciZimbra.A iniciativa contou ainda com o apoio da Associação de Estudos do Alto Tejo, do Geopark Naturtejo, da Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo, da United Photo Press/2010 - Ano Internacional da Biodiversidade, e dos municípios de Nisa e de Vila Velha de Ródão.
A Carta realça que o Tejo é o elemento unificador de toda a bacia ibérica e das gentes ribeirinhas.
“As populações do Alto Tejo conseguiram sobreviver e prosperar em harmonia com o rio que lhes foi generoso no passado e que será essencial no futuro”, sublinha.
Para este movimento, “a preservação do rio Tejo é um tributo que os cidadãos devem oferecer a este património, sendo urgente assegurar que o caudal do Tejo seja o que era antigamente, acabar com a poluição que mata os peixes e envenena o ambiente e as pessoas, criar canais de passagem para os peixes nas barragens e nos açudes e acabar definitivamente com a pesca ilegal”.
Acrescentam ainda que “neste futuro não têm lugar nem o Urânio nem o Nuclear, enquanto recursos energéticos insustentáveis do ponto de vista do desenvolvimento ambiental, social e económico, que colocam em risco a segurança dos cidadãos”. 
Público
TVI24

CARTA CONTRA A INDIFERENÇA
PORTAS DE RÓDÃO – 9 DE MAIO DE 2010

O rio Tejo não é apenas água, é cultura viva, a espinha dorsal e o eixo, das terras e das aldeias por onde passa.
É com grande felicidade que vemos juntarem-se em defesa do Tejo todos os cidadãos e organizações aqui presentes, representativos de toda a bacia ibérica do Tejo e de todos os sectores da sociedade e áreas de acção, constituindo-se como um exemplo independente de participação e cidadania.
Nas nossas diferenças, o elo que nos une é o Tejo!
O mesmo Tejo que une toda esta bacia de Espanha a Portugal, que une todas as populações ribeirinhas e as suas culturas, que o conhecemos e o vivemos da nascente até à foz, de Albarracín ao Grande Estuário.
É também significativo que nos encontremos nas Portas de Rodão, Monumento e Maravilha Natural que simboliza a comunhão entre o património natural e cultural associado ao rio Tejo, com relevância para a geologia e biodiversidade.
As populações do Alto Tejo conseguiram sobreviver e prosperar em harmonia com o rio que lhes foi generoso no passado e que será essencial no futuro.
Um futuro onde este laço de natureza e cultura perdure e se reforce com o regresso de modos de vida ligados à água e ao rio que as actividades de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental permitirão sustentar.
A preservação do rio Tejo é um tributo que os cidadãos devem oferecer a este património, sendo urgente assegurar que o caudal do Tejo seja o que era antigamente, acabar com a poluição que mata os peixes e envenena o ambiente e as pessoas, criar canais de passagem para os peixes nas barragens e nos açudes e acabar definitivamente com a pesca ilegal.
Neste futuro não têm lugar nem o Urânio nem o Nuclear, enquanto recursos energéticos insustentáveis do ponto de vista do desenvolvimento ambiental, social e económico, que colocam em risco a segurança dos cidadãos.
A extracção de urânio tem no consumo e na poluição da água os principais impactos ambientais, conjuntamente com a alteração do território, a afectação da paisagem e a difusão de poeira que pode afectar as povoações mais próximas e a saúde dos seus habitantes.
A contaminação das águas do Tejo por substâncias radioactivas relacionadas com a Central Nuclear de Almaraz é uma realidade, onde as fugas ocorrem e se misturam com a água tardando a serem divulgadas às populações afectadas.
Conhecemos os males de que o Tejo padece com os transvases, com o assoreamento, com a poluição, ou seja, o maltrato que a mão do homem tem vindo a infligir à sua água e aos seus ecossistemas.
Para conter essa mão que o maltrata temos que abrir a outra mão para que o proteja, e essa mão somos nós!
Por isso temos o dever de estender essa mão aberta para criar uma corrente de vontade e de intencionalidade, que seja capaz de esclarecer quem decide e que exija um tratamento ecologicamente sustentável para o rio Tejo.
Devemo-lo a nós próprios, que com o Tejo partilhámos a nossa vida e aceitámos a generosidade das suas águas.
Devemo-lo às gerações futuras para que conheçam um Tejo vivo, como nós o conhecemos, e não um escravo e prisioneiro do egoísmo e da especulação dos humanos.
Se continuarmos neste rumo, as próximas gerações já não conhecerão rios vivos, mas apenas imagens na internet... que serão sombras do que um dia nos foi oferecido com generosidade.
Por tudo isto, devemos unir-nos e reclamar a unidade e integridade do Tejo e da sua bacia, já que o amor e o respeito que por ele sentimos não se esgotam em nenhuma das fronteiras administrativas e artificiais que os homens impõem à natureza.
Para que as nossas mãos o protejam temos que as unir e coordenar, mostrando a união dos cidadãos portugueses e espanhóis na defesa do Tejo, enquanto bacia ibérica e internacional, e afirmar a nossa determinação para combater a indiferença ao maltrato que tem vindo a sofrer.
Assim, com vista a defender o Tejo e seus afluentes, e como cidadãos do rio Tejo, em Portugal e em Espanha, unimo-nos para reivindicar a todas as autoridades competentes, internacionais, nacionais, regionais e locais:
1º. A necessidade de uma gestão sustentável da bacia hidrográfica do Tejo;
2º. O cumprimento da Directiva Quadro da Água, ou seja, a garantia de um bom estado das águas do Tejo;
3º. O estabelecimento e quantificação de um regime de caudais ambientais, diários, semanais e mensais, reflectidos nos Planos da Bacia Hidrológica do Tejo, em Espanha e em Portugal, que permitam o bom funcionamento dos ecossistemas ligados ao rio;
4º. A monitorização do cumprimento permanente do regime de caudais ambientais;
5º. A recusa dos transvases do Tejo e o apoio à investigação de alternativas sustentáveis, baseadas no uso eficiente da água;
6º. A concepção de um projecto com vista ao desassoreamento do rio Tejo e à sua navegabilidade;
7º. A qualidade e quantidade de água do rio Tejo e dos seus afluentes, no sentido de garantir os diversos usos;
8º. A realização de acções para ajudar a restaurar o sistema fluvial natural e o seu ambiente;
9º. A valorização e promoção da identidade cultural e social das populações ribeirinhas do Tejo.

É isto que defendemos,
Que as nossas mãos unidas protejam o TEJO.
E digamos com Miguel Torga, porque os poetas sabem ver o futuro
Recomeça
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
O Tejo merece!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

GOVERNO AFIRMA ESTAR A TOMAR MEDIDAS PARA PRESERVAR A ÁGUA DO TEJO

A delegação do proTEJO esteve hoje reunida com o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, com o intuito de discutir algumas questões relacionadas com a política de transvases em Espanha e com a elaboração dos planos de gestão da região hidrográfica do Tejo, que deverão estar concluídos até final de 2010.
Os representantes do proTEJO apresentaram o movimento evidenciando o carácter abrangente do seu objecto que integra os vários domínios ambientais, culturais e patrimoniais que envolvem o rio Tejo, entre os quais a recusa da política de transvases em Espanha.
Apresentámos a posição do movimento quanto à necessidade de:
1. Definição de um regime de caudais em toda a bacia do Tejo, em sintonia com o princípio de unidade da gestão da bacia hidrográfica estabelecido pela Directiva Quadro da Água, e não apenas na fronteira no âmbito da convenção luso-espanhola, alertando para o facto de isto contribuir para o eventual incumprimento desta Directiva;
2. Instituição de instrumentos de monitorização do cumprimento dos parâmetros da qualidade da água e do regime de caudais estabelecido na Convenção de Albufeira e na Directiva Quadro da Água, garantindo que a CADC elabora e publicita um relatório sobre o cumprimento da Convenção e da Directiva Quadro da Água;
3. Evitar os efeitos da sobre exploração da água na sua qualidade e na preservação do património natural e da biodiversidade;
4. Fiscalização das fontes poluentes, como seja a poluição agrícola, industrial e nuclear;
5. Agir contra a pesca ilegal de peixes migradores, designadamente, a pesca do meixão;
6. Adopção de medidas com vista a ultrapassar as dificuldades com que se deparam algumas das organizações que integram o movimento, como seja, os Areeiros do Tejo face à concorrência desleal da extracção em pedreiras, bem como o Projecto de Candidatura da Cultura Avieira a Património Nacional face às condições necessárias à criação da rota turística dos Avieiros.
Além disso, solicitámos que fosse prestada a informação já solicitada do estudo que serviu de base à determinação do regime de caudais que entrou em vigor a 5 de Agosto de 2009 nos termos do Convénio de Albufeira, assim como da sua recente modificação a 15 de Janeiro de 2010.
No que respeita à situação dos planos de gestão da região hidrográfica fomos informados que se encontra em vias de ser assinado o contrato para a sua elaboração.
O Governo garantiu estar a tomar medidas para preservar a qualidade da água da bacia hidrográfica do rio Tejo e mostrou-se sensibilizado com as nossas preocupações, tendo informado algumas questões que estão já a ser resolvidas, designadamente, as relacionadas com o projecto da cultura avieira e daa monitorização da qualidade da água.
O proTEJO estará atento aos desenvolvimentos na elaboração dos planos de gestão da região hidrográfica do Tejo e intervirá na sua participação pública, de modo a garantir que estes instrumentos integrem um regime de caudais definidos para toda a bacia do Tejo e que permitam um bom estado das águas .
Notícias:

quarta-feira, 5 de maio de 2010

MUNICÍPIO DE MAÇÃO ADERE AO proTEJO

O município de Mação aderiu ao proTEJO vindo juntar-se às 29 organizações e entidades que integram o movimento, entre as quais a Associação dos Amigos da "Estação de Ortiga", demonstrando a forte ligação deste concelho e dos seus municípes ao rio Tejo e à sua bacia.
Além disso, vem reforçar o conjunto de municípios que aderiram directamente ao proTEJO, sendo estes Abrantes, Chamusca, Golegã e Vila Nova da Barquinha, provando que os princípios reivindicativos em defesa do rio Tejo atravessam transversalmente todo o espectro social e político, tal como já tinha resultado da adesão da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e da aprovação dos princípios reivindicativos do movimento por unanimidade na Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.
Bem hajam todos os cidadãos que entendem que a preservação do património natural, da água e dos rios é um desígnio que pertence a todos e é responsabilidade de todos.
Foto: Pedro Cura

sábado, 1 de maio de 2010

RECONHECIMENTO DA DESCIDA DE CEDILHO A PORTAS DE RÓDÃO - 1 DE MAIO DE 2010

O reconhecimento foi feito rio abaixo no barcodo Sr. Fernando, pescador, tanto no sentido de Vila Velha de Ródão - Barragem de Cedilho, quer no contrário.
A paisagem natural belíssima onde a rudeza da pedra se mistura com a verdejante flora e com a fauna, com corvos marinhos, patos reais, aves de rapina, entre outros, mostra da rica biodiversidade deste percurso.
Deixamos aqui esta pequena mostra de tudo aquilo que podem esperar da descida, um espectáculo da natureza.


E em movimento...


Reconhecimento de Cedilho até Portas de Ródão from Paulo Constantino on Vimeo.

ACESSIBILIDADE - VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA

A descida de canoa organizada para Vogar Contra a Indiferença no rio Tejo entre Cedilho e as Portas de Ródão vai mobilizar mais de meio milhar de cidadãos portugueses e espanhóis em defesa do Tejo, contando já com 200 participantes inscritos que incluem uma centena de participantes que irão colorir o rio com as cores de mais de 50 canoas e mais uma centena de acompanhantes, mas cujo número poderá vir a aumentar até dia 2 de Maio de 2010 data limite para inscrições.
Aqui ficam as indicações de acessibilidade para que possam chegar bem e às 9 horas na concentração junto à Barragem de Cedilho.
Sejam bem vindos!

Vindos de Lisboa: A23/ Nisa / Montalvão/ Barragem de Cedilho



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Vindos da Guarda: A23 / Vila Velha de Ródão / Salavessa/ Montalvão/ Barragem de Cedilho

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Volta da Barragem Cedilho / Montalvão / Vila Velha de Ródão

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